7 Lições sobre Empreendedorismo que o Caminho de Santiago me Ensinou

Por | julho 14, 2020

Em 2016 eu tive a maior e melhor experiência da minha vida até agora: Eu caminhei 744km por 30 dias como um peregrino do Caminho de Santiago de Compostela.

Sim, eu cruzei um país inteiro a pé, em busca de respostas para minha vida pessoal, profissional e espiritual. 

Até hoje, falar disso mexe comigo. Então, escrever esse artigo não será fácil…

E, nesta jornada, eu obtive muitas das respostas que eu buscava. E incrivelmente, também aprendi lições inesperadas. Muitas delas ligadas ao trabalho que eu faço desde 2013 como empreendedor digital.

Nesta incrível experiência, eu aprendi 7 lições inesquecíveis e marcantes sobre empreendedorismo. E quero dividir esses ensinamentos, pela PRIMEIRA vez desde 2016, hoje com você.

1) Um Objetivo Claro

Esse é um dos maiores pecados de quem tem negócio: não saber o que quer com clareza.

Durante o Caminho de Santiago, meu objetivo era um só: Caminhar de Roncesvalles até Santiago de Compostela, em 31 dias. Era um objetivo claro e preciso.

Primeiros passos rumo à Santiago!

Todos os dias eu acordava e pensava: hoje estou mais perto de Santiago do que ontem.

Durante a caminhada, eu passava por marcos que me alertavam: faltam XXX km até Santiago.

Era nisso que a minha mente estava focada. Eu não tinha OUTRO COMPROMISSO a não ser CHEGAR EM SANTIAGO em 31 dias.

Simples, direto e fácil (o objetivo, não a jornada kkk).

90% das pessoas que conheci tinham o mesmo objetivo que eu, o que tornava a missão ainda mais vívida pra mim (falarei disso mais pra frente).

Algumas pessoas tinham objetivos diferentes. Conheci pessoas que começaram o Caminho de outras cidades. Alguns espanhóis só fazem os 100km finais.

O alemão Christopher saiu da sua casa em Cologne e queria chegar até Lisboa. Percorrer 2000km a pé em 3 meses.

Christopher e Sebastian

O francês Jacky, que saiu da sua cidade, Lille e queria chegar em Santiago em 2 meses.

Alguns, desejavam ir além de Santiago. Andar mais 4 dias até Finsterre, a costa europeia, também conhecida como “Fim da Europa”.

Por do Sol em Finsterre

Enfim, todas essas pessoas tinham objetivos únicos e muito claros. Salvo raras excessões (por causa de lesões ou outros fatores que impediam a missão), todas elas atingiram seu objetivo.

Qual a lição que eu tomei pra mim? Preciso de um objetivo único e claro. E depois que eu alcançar esse objetivo? 

Trace outro objetivo único e claro. Deste modo, você vai conquistar tudo que deseja na sua vida.

2) Plano Claro

Eu não cheguei em Santiago com GPS. Mas eu tinha um mapa com um plano diário. Cada dia, eu tinha um pequeno objetivo: Sair da cidade X e chegar até a cidade Y.

O passaporte do peregrino

E isso foi planejado ANTES de iniciar o Caminho. Quando dei meu primeiro passo por lá, eu já sabia exatamente o que tinha que fazer para chegar em Santiago em 31 dias, conforme era meu desejo.

O plano foi seguido a risca? Claro que não. Nunca é, porque existem imprevistos. Mas 90% do plano foi seguido. 

E mesmo sabendo que talvez você precise fazer adaptações em seu plano de ação por conta de imprevistos, só em conhecer o seu plano, já te dá dimensão do qual longe esses “desvios” te deixam do seu objetivo. 

E ai você consegue fazer os ajustes certos pra recuperar esse GAP e voltar aos trilhos. Isso porque o plano não te permite desviar da sua rota. Ele é fundamental pra fazer com que seu objetivo seja realizado.

3) Imprevistos

Já que falei de imprevistos, deixa eu falar agora do meu maior imprevisto no Caminho de Santiago.

No terceiro dia de caminhada, eu encarei minha primeira grande montanha. Chamada de Alto do Perdón (Pico do Perdão).

Eram 1200m de altura. Foi bem cansativo subir. A vista foi incrível e eu pude tirar essa foto de lá:

Ao descer, a surpresa: No meu terceiro passo descendo, senti uma mega fisgada no joelho direito. Tinha acontecido algo.

Eu pisava e sentia dor no joelho. Fisgadas bizarras a cada passo. Fiquei preocupado. Eu estava no meio do nada. Ainda tinha pelo menos 16km pela frente, antes de poder descansar. 

Assim que isso aconteceu, uma australiana que vinha logo atrás viu que eu estava mancando. Nos conhecemos num bar em Pamplona, na noite anterior. Era a Neilly. Ela me perguntou o que tinha acontecido.

Expliquei o que acontecera e ela, prontamente, sacou da sua mochila uma joelheira e me deu. Alem do mais, eu estava caminhando mais devagar do que os outros. Estava ficando pra trás.

Ela, gentilmente, me acompanhou no meu ritmo, pra eu não ficar sozinho. E caminhamos por 2h, conversando bastante comigo.

O fato é que, naquele dia, eu pensei: ainda tenho mais 27 dias pela frente. Como vou fazer?

Eu ainda tentei andar mais 4 dias com a lesão. O que só piorou, pois eu comecei a forçar o meu outro joelho e acabei ficando com 2 lesões. 

Isso era crítico. Porque sem meus joelhos bons, eu não conseguiria terminar o Caminho.

Decidi então procurar um hospital numa cidade próxima onde eu estava. Segui pra Burgos. Lá, foi constatado tendinite em ambos os joelhos. A medica falou que o caminho tinha acabado pra mim.

Sendo atendido no Hospital Universitário de Burgos

Eu falei que não iria parar. Pedi a ela um remédio e um conselho para que eu pudesse aliviar a dor até chegar ao meu destino.

Ela falou pra eu tomar anti-inflamatório e ficar 3 dias em repouso absoluto. E quando recomeçasse as caminhadas, começasse devagar.

Eu fiz isso. 

4 dias depois desse dia, eu caminhei apenas 9km. Depois caminhei 12km. Depois 18km. Depois 23km. Depois 31km e depois 43km (sim. Aqui eu abusei, pois a média de caminhada diária era de 25km).

Eu fiz a maior parte do caminho com dores nos meus 2 joelhos. Mas era uma dor suportável e eu consegui administrar até o final.

Com esse imprevisto, precisei adaptar meu plano. Quando fui para o hospital, precisei pular 3 cidades do percurso.

E quando retomei e fui caminhando acima da media diária, eu acabei recuperando esse tempo perdido dos dias de repouso e dos dias caminhando pouco.

Adaptação faz parte do plano. Agora uma coisa importante pra você: Quando você tem um objetivo claro, você descobre que tem determinação e força.

Isso que acabei de te contar é uma prova disso. Muitos desistiriam com um problema desses. Eu não aceitei. Eu tinha muito claro a minha missão e segui em frente, apesar das dificuldades.

E eu não sabia que podia ser uma pessoa determinada e forte. Era uma das respostas que eu buscava do Caminho e ele me deu.

4) Direção Clara

No meu primeiro dia de caminhada, eu estava muito ansioso. Pernoitei no monastério de Roncesvalles, onde iria começar o Caminho.

Acordei, um pouco sem jeito. Sentei-me pra tomar café na cozinha coletiva. Escovei meus dentes e peguei minha mochila. Estava pronto para começar.

Mas aí pintou uma duvida: ok, o que eu faço agora? Pra onde vou?

Então, procurei um sacerdote do monastério e lhe perguntei:

– Senhor, bom dia. Estou aqui para fazer o Caminho de Santiago (ok, como se ele já não soubesse disso rs) e eu não sei pra qual direção devo seguir. Por onde começo?

Ele respondeu calmamente:

– Filho, é bem fácil. Aqui em frente ao monastério, tem uma estrada. A mesma pelo qual você chegou ontem aqui. Você vai atravessar esta estrada e vai ver que, paralelo a ela, tem um pequeno caminho de pedestres.

Vai notar ainda que existe uma plaquinha com uma SETA AMARELA apontando para lá (e ele apontou pra mim). Tudo que você tem que fazer é SEGUIR A SETA AMARELA.

Fiquei pensativo por uns instantes. Respondi:

– Hummm entendi. Ok, mas eu sigo essa seta até onde? 

(Imaginei que ela seria só a primeira sinalização do caminho. Mas eu tinha 27km pela frente. E se não encontrasse mais ninguém pra perguntar isso depois?)

Ele me respondeu com ainda mais calma:

– Você segue a seta até Santiago.

Ali a ficha caiu. Eu não precisava de mais nada. Só precisava procurar pelas setas amarelas ao longo do Caminho e elas me levariam ao longo de quase 800km, sem ajuda de GPS, até o meu destino.

Era uma direção SIMPLES E CLARA.

A primeira seta amarela a gente nunca esquece…

E funcionou. Tudo o que eu precisei pra chegar no meu objetivo foi: SEGUIR AS SETAS AMARELAS.

O que aprendi com isso? Você não precisa tocar 50 estratégias diferentes, aprender 300 cursos novos pra você chegar ao seu primeiro milhão, ou a ter um negócio digital bem sucedido. 

Você só precisa de 1 direção muito clara. Basta uma estratégia. Um método. Simplificar é o segredo.

Um passo depois do outro

Quem olha de fora pensa: nossa cara, tu é louco! Eu não conseguiria andar 800 km a pé. Com peso nas costas, subindo e descendo morro. Deve ser muito difícil…

Eu nunca disse que essa jornada foi fácil pra mim. Porém ela foi possível. E é possível para qualquer um.

Quando olhamos para todo o percurso, parece realmente mais difícil do que é. Que a gente não consegue. Parece muito distante chegar em Santiago.

Concordo contigo.

Sabe como eu cheguei em Santiago?

5) Dando um passo depois do outro

Quando eu estava exausto, com muitas dores e querendo parar, eu pensava:

Calma. É bem simples. Só preciso dar mais um passo. Agora mais um. E vamos ficar assim por um tempo. É muito simples dar apenas um passo. Vamos dando esse passo, um de cada vez.

E eu sempre chegava aonde desejava. Sempre dando um passo de cada vez.

Pés cansados, calçados maltratados, mas todo mundo feliz da vida

Com o seu negócio digital não é diferente. Se você nunca fez uma venda online, parece impossível você pensar que um dia estará vendendo 100 ou 200 produtos na internet e tendo uma renda de R$ 7.000 a R$ 15.000 por mês.

Se você hoje só ganha R$ 2.000 com digital, parece impossível se imaginar ganhando R$ 30.000, R$ 50.000 ou R$ 100.000 por mês.

Eu entendo. Mas quando vier esse pensamento de que é impossível pra você, lembre-se da lição do “um passo depois do outro.”

Eu caminhei 700km dando um passo depois do outro. Eu tenho negócios digitais de múltiplos 5 dígitos mensais, fazendo uma venda depois da outra.

Faça o mesmo. Focar em 1 passo é muito mais fácil do que focar nos 1000 passos da jornada.

6) A Força do Grupo

Uma das lições mais importantes que eu tirei do caminho para meus negócios digitais foi essa: dar importância a um grupo de pessoas com ideias parecidos com os seus.

Cindy (esq), Lucy, Jessy, Sebastian e o nerd viajante

Eu sempre achei uma bobagem sem tamanho esse negócio de mastermind e tal. Não via valor nisso.

Mas quando fiz o caminho de Santiago e tive a chance de fazer parte de um grupo de pessoas incríveis (que até hoje eu sinto falta), eu pude ver como que essa minha crença foi nociva pra mim e me impediu de crescer mais com a Nerd Rico, na época.

A galera reunida: Cindy, Martina, Lucy, Toli, Sebastian, Jesse, eu, Christopher e a judia que me foge o nome…

Esse grupo me deu forças para eu continuar a minha jornada, mesmo nos meus momentos mais difíceis. Esse grupo foi cúmplice das minhas dores, das minhas alegrias. E eu fui cúmplice deles. 

Aprendemos a respeitar o momento de cada um. Aprendemos a compartilhar uns com os outros. Desde comida a um abraço amigo.

Martina, Cindy e Jean Pierre (o Caminho curou sua cegueira e uma lesão grave na coluna)

Fizemos descobertas juntos. Aprendemos juntos e crescemos juntos.

Em particular, isso mexeu muito comigo. Pois sempre fui muito sozinho. Nunca tive muitos amigos, namoradas, nunca fui muito presente com a minha família. Sempre vivi no meu mundo. Meio isolado e fechado.

E isso se refletia na minha carreira. Apesar de eu ser conhecido no meio digital e ser quisto como um cara simpático e empático, no fundo eu não ia muito alem disso. Eu não pedia ajuda. 

Eu não compartilhava coisas com pessoas próximas (apesar de muitos chamarem minha atenção pra isso e eu teimar em não ouvir), como Romualdo Cronemberger, Sandro San, Victor Damásio e até mesmo o Erico Rocha.

Depois dessa experiência, eu pude enxergar isso. Finalmente.

Hoje, eu faço parte de 2 mentorias, um mastermind, tenho 2 sócios incríveis e vários colaboradores maravilhosos s super parceiros em meus negócios.

Não estou mais isolado. Não estou mais fechado no meu mundo. Eu pedi ajuda.

Resultado disso: só nos primeiros 3 meses deste ano, eu já faturei mais com meus negócios do que o meu melhor ano com a Nerd Rico antes de tudo isso.

7) Foco

Lá pelo 10º dia de caminhada, eu conheci alguns brasileiros. Dentre eles, o Antonio. Eu, Antonio e o grupo, caminhamos juntos por uns 4 dias. Em uma certa ocasião, chegamos um trecho ermo do caminho, que tinha uma bifurcação.

Em uma das direções, dava pra se ver, um pouco apagada, a seta amarela apontando para uma das trilhas. A gente parou ali, e olhou com calma pra ter certeza que aquela era a seta certa. Realmente não tinha outra seta no local, o que fazia daquela o caminho certo a seguir.

Mas não para Antonio.

Antonio observou que, ao longe, beeem ao longe, algumas pessoas estavam passando, por uma trilha. Certamente eram pessoas que estavam mais a frente do que nós. A gente chegaria neste mesmo ponto da caminhada, talvez 1h ou 2h depois. 

Quando estávamos prontos para continuar, Antonio disse:

– Pessoal. Espera um pouco. Vamos por esse outro caminho aqui. É um atalho. Vamos chegar lá mais rápido.

Respondi:

– Mas antonio, a seta está apontada para a outra direção. Nao temos certeza se esse caminho ai vai dar passagem mais pra frente. Vamos seguir o combinado.

Antonio insistiu:

Não… Eu tenho certeza que dá. Olha lá! Está bem na direção daquele outro trecho. 

Depois de algum tempo discutindo, todos resolveram seguir o caminho que indicava a seta. Menos Antonio. Ele resolveu ir pelo “atalho”.

Pois bem. Desde esse dia, nunca mais vi Antonio. Certamente ele se atrasou, pois vou que não dava caminho, Teve que voltar tudo de novo e recomeçar… E ai o perdemos de vista.

Em negócios digitais, é muito comum a gente se empolgar com várias coisas: Uma nova estratégia, uma nova técnica, uma parceria, um novo isso e aquilo.

Mas tudo isso pode ter uma terrível distração pra você que quer resultados concretos. Tudo que tira o foco do seu objetivo central, é ruim (escreve isso num post it e cola na sua geladeira).

Tome cuidado com atalhos e distrações.

Agora, eu quero que você verdadeiramente reflita sobre essas minhas histórias e lições que eu trouxe pra você. Que fichas caem?

O que você aprendeu comigo hoje lendo isso? O que você pode mudar agora mesmo para ter resultados melhores amanhã?

Por do Sol em Santiago de Compostela

Vou deixar você com as suas reflexões. Devem ter muitos neste exato momento rs

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